quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Apologia à brevidade


Sempre fui obcecada com a morte. Afinal, é ela quem te dá a ultima palavra, quem tira toda a dignidade, quem te coloca no seu lugar. É ela quem dá valor pra vida, quem te expõe mas nunca se mostra por completo. Não há em nenhum outro ato humano tanta sinceridade e beleza quanto na morte. Sim, ela eventualmente deforma qualquer pessoa, mas o ato de morrer é sempre bonito. Seja pela dor que os olhos dos que assistem exprimem, seja pela fragilidade da vida que é injustamente tirada,  seja pela coragem  e estupidez da escolha. Há sempre algum aspecto muito poderoso e muito bonito no fim.

Não digo que eu goste de ver pessoas morrendo. Na verdade nunca vi nenhuma e acredito que se visse meu delicado coração não se recuperaria por um bom tempo. Mas meus suprimentos de leituras e seriados sempre tentam revelar o ato com entusiasmo. Claro que o fato real deve ser ainda mais grandioso que uma mera representação - e apesar disso, te garanto que não faço nenhuma questão de presenciá-lo algum dia. Mas aqui na segurança das ideias, acredito que morte tem algo de muito encantador.

Uma única morte faz qualquer coisa parecer pequena e qualquer pessoa parecer importante. Quando as pessoas te falam como têm você em grande estima é muito dificil de acreditar.  Afinal, com todos os defeitos que você conhece em sí, seria possível ser querido? Não sei dizer. Mas se pergunte: se você morresse na frente delas, qual reação assistiria? Certamente os sentimentos se solidificariam em olhares significativos e você não teria mais dúvidas. 

Sabemos que amamos realmente alguém quando sentimos dor ao imaginar a possibilidade da sua morte. E como é gostosa, apesar de sofrida, essa certeza de que precisamos de alguém. Que sem aquela pessoa nada teria valor e o sentido da nossa vida escaparia entre nossos dedos. Como é bom ter alguém nos braços e pensar na felicidade de estarmos juntos naquele momento. "Nós nos encontramos nessa estrada de mistérios e temos a alegria de viver na companhia um do outro! Quanta sorte!"

Que sorte a nossa.


Nenhum comentário:

Postar um comentário