segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Brisa



Às vezes eu sou tomada por um afeto tão intenso pelas pessoas e pela vida. Eu sei que deve ser culpa desses últimos dias do ano, que deixam a gente mais frouxo que de costume, mas sei la. Existir com tanta liberdade e possibilidades é maravilhoso. Sim, sempre tem alguma coisa pinicando, mas acima disso, há tanta riqueza na vida! São pessoas com gostos similares aos nossos espalhadas pelo mundo inteiro e que a gente quer abraçar, e também aquelas tão diferente que dá vontade de vasculhá-las e descobrir outros olhares, outros aprendizados... há músicas por aí, e brisas, e tecidos. Há livros! Todos e tantos que podemos viver milhares de vidas nessa breve que nos foi dada.

Sim, ainda há a morte, e ela nos segue e espalha o seu fedor na noite silenciosa. Mas para cada noite de medo há um dia iluminado cheio de arrebatamento em cada olhar sensível. É claro que tudo acabará um dia, mas gente, agora nós estamos aqui!

2013 está logo ao lado, e pra ele não tenho desejo maior que esse êxtase do encantamento cotidiano. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Arrumação





A vida está doce.

Na verdade, tá tudo fora do lugar. É como quando vamos arrumar o quarto e de repente o caos está bem maior do que antes, mas no meio da bagunça achamos coisas lindas que estavam esquecidas. Daí a arrumação vai ficando divertida e gostosa, e mesmo sentindo medo de que não consigamos deixar tudo organizadinho como queríamos, ficamos felizes pelos encontros.

sábado, 8 de setembro de 2012

Innuendo - Queen

Hoje, a música da minha vida.






Innuendo - Queen

Ooh ooh

While the sun hangs in the sky and the desert has sand
While the waves crash in the sea and meet the land
While there's a wind and the stars and the rainbow
Till the mountains crumble into the plain

Oh yes, we'll keep on trying
Tread that fine line
Oh, we'll keep on trying
Yeah
Just passing our time

Ooh ooh

While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons and on and on

Oh, yes, we'll keep on trying, yeah
We'll tread that fine line
Oh oh we'll keep on trying
Till the end of time
Till the end of time

Through the sorrow all through our splendour
Don't take offence at my innuendo

You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo, be free, be free
Surrender your ego - be free, be free to yourself

Ooh ooh, yeah

If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point, if there's a reason to live or die - ha!
If there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask

Oh yes, we'll keep on trying
Hey, tread that fine line, yeah
We'll keep on smiling, yeah
And whatever will be - will be
We'll just keep on trying (2x)
Till the end of time (3x)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre os pensadores


As vezes eu penso sobre o nome que se dá aos autores - "escritor". Acho tão errado! Devia ser pensador, idealizador, criador. Pra mim, chamar um autor de escritor é como chamar um cantor de gravador de cds, ou um ator de falador. A palavra escrita é somente um registro, não a ação fundamental. Antes ocorre a germinação do pensamento, a articulação da ferramenta-palavra, o trabalho imaginativo. 

Escrever é somente algo que se faz pro pensamento durar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Absolutamente sem título



O meu problema é indefinição. Não que eu não saiba o que ele seja. Eu sei que não sei, e isso me pinica tal qual uma fantasia indesejada de tecido duro em festa junina, com direito às sandálias de PVC que todos viam sob meu olhar. E o problema também é o olhar.

Pra viver, me parece que devemos investir em uma ideia do que pode nos dar alguma felicidade. Desta forma germina uma necessidade petulante aqui dentro de definir o que é certo pra mim. E de ter coragem de acreditar que algo possa sê-lo.

Questionar é fácil, vem como o gosto azedo nas raízes do meu peito sufocado depois das curvas da estrada. É natural, até. Questionar é sondar a paisagem por uma janela embaçada enquanto se desenha na umidade do hálito esfomeado. Mas nessa jornada o tempo não permite paradas, e a alma permanece faminta.  

Atormenta-me a possibilidade de que viver seja simplesmente desapropriar-me de mim mesma para garantir uma sobrevivência superficial da existência que devia ser minha e que eu desejava aprofundar. Desejo. Desejava. Desejaria se.

Chegará o momento circunstancialmente indelicado em que será exigida uma definição.

O meu problema é indefinição.

sábado, 22 de outubro de 2011

Valor



De que valem as lágrimas que escorrem tão fácil, o mundo que não me cabe no peito, de que me vale estar tão à superfície? Pra quem olha de fora, o valor não vem pelo que aparece dentro de mim. Pra quem olha de fora é preciso que eu faça. O que fazer, está aí uma pergunta não perguntada e tão pouco respondida.

Porque a alma se constrói todos os dias, camadas e camadas de arrepios e ternura aprendidos. Lições de como ser gente, permitir-se sentir, olhar com o coração para as coisas. Um novo fôlego em oração à minha essência. O meu eu presente, o presente de absorver toda a intensidade que se oferece.

E meus dedos trêmulos, inseguros. Meus pés sem caminho se contorcem. Meus pequenos olhos, eu tão pequena e tudo tão grande aqui dentro.

"Mas quem você é, o que faz de importante?" - eles perguntam. Mas não é importante ser feliz? Ser respeitado a troco de quê? Ser conhecido, ser lembrado. Mas para quê? Prefiro o anonimato em regozijo. Prefiro a irrelevância da serenidade. Tão-mais importante para mim aproveitar essa única chance, valer a pena de ser tão evanescente, ter estado brevemente mas bravamente em estado de graça.

De que vale? De nada. No fim é tudo fim. Mas agora eu existo, e essa alegria sucesso nenhum vale adormecer.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Apologia à brevidade


Sempre fui obcecada com a morte. Afinal, é ela quem te dá a ultima palavra, quem tira toda a dignidade, quem te coloca no seu lugar. É ela quem dá valor pra vida, quem te expõe mas nunca se mostra por completo. Não há em nenhum outro ato humano tanta sinceridade e beleza quanto na morte. Sim, ela eventualmente deforma qualquer pessoa, mas o ato de morrer é sempre bonito. Seja pela dor que os olhos dos que assistem exprimem, seja pela fragilidade da vida que é injustamente tirada,  seja pela coragem  e estupidez da escolha. Há sempre algum aspecto muito poderoso e muito bonito no fim.

Não digo que eu goste de ver pessoas morrendo. Na verdade nunca vi nenhuma e acredito que se visse meu delicado coração não se recuperaria por um bom tempo. Mas meus suprimentos de leituras e seriados sempre tentam revelar o ato com entusiasmo. Claro que o fato real deve ser ainda mais grandioso que uma mera representação - e apesar disso, te garanto que não faço nenhuma questão de presenciá-lo algum dia. Mas aqui na segurança das ideias, acredito que morte tem algo de muito encantador.

Uma única morte faz qualquer coisa parecer pequena e qualquer pessoa parecer importante. Quando as pessoas te falam como têm você em grande estima é muito dificil de acreditar.  Afinal, com todos os defeitos que você conhece em sí, seria possível ser querido? Não sei dizer. Mas se pergunte: se você morresse na frente delas, qual reação assistiria? Certamente os sentimentos se solidificariam em olhares significativos e você não teria mais dúvidas. 

Sabemos que amamos realmente alguém quando sentimos dor ao imaginar a possibilidade da sua morte. E como é gostosa, apesar de sofrida, essa certeza de que precisamos de alguém. Que sem aquela pessoa nada teria valor e o sentido da nossa vida escaparia entre nossos dedos. Como é bom ter alguém nos braços e pensar na felicidade de estarmos juntos naquele momento. "Nós nos encontramos nessa estrada de mistérios e temos a alegria de viver na companhia um do outro! Quanta sorte!"

Que sorte a nossa.